Barroso intima diretor da PF para explicar declarações sobre Temer

Diretor da Polícia Federal nega que tenha afirmado em entrevista que inquérito contra presidente Michel Temer será arquivado por falta de provas

Por R7, com Agência Estado e Reuters 10/02/2018 - 15:49 hs
Foto: STF

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso,  intimou neste sábado (10) o diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, a dar explicações sobre as declarações que envolvem o presidente Michel Temer.

Segovia disse em entrevista à Agência Reuters que a tendência é a Polícia Federal recomendar o arquivamento da investigação contra Temer. De acordo com Segovia, até o momento não foram angariadas provas sobre pagamento de propina por parte da empresa Rodrimar para Michel Temer. A empresa teria sido beneficiada em decreto que renovou concessão no Porto de Santos.

Segovia nega arquivamento de inquérito contra Temer

— Tendo em vista que tal conduta, se confirmada, é manifestamente imprópria e pode, em tese, caracterizar infração administrativa e até mesmo penal, determino a intimação do Senhor Diretor da Polícia Federal, delegado Fernando Segovia, para que confirme as declarações que foram publicadas, preste os esclarecimentos que lhe pareçam próprios e se abstenha de novas manifestações a respeito", diz o despacho de Barroso.

O ministro também pede que o Ministério Público Federal, como órgão de controle externo das atividades policiais, também tome as providências "que entender cabíveis".

No despacho, Barroso lembra que o inquérito contra Temer ainda não foi concluído, que Segovia sinaliza para a possibilidade de punição ao delegado Cleyber Malta Lopes (que conduz o inquérito), que diligências ainda estão em curso "razão pela qual não devem ser objeto de comentários públicos" e que Segovia ainda não recebeu o relatório do delegado responsável, parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) ou qualquer manifestação oficial dele, que é o relator do caso na Corte.

A declaração de Fernando Segovia provocou reações da ADPF  (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal) e a APCF (Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais).

O diretor da Polícia Federal, Fernando Segovia, disse que até o momento as investigações não comprovaram que houve pagamento de propina por parte de representantes da empresa Rodrimar, que opera áreas do porto de Santos (SP), para a edição do decreto que prorrogava contratos de concessão e arrendamento portuários, assinado por Temer em maio do ano passado.

De acordo com Segovia, nas apurações feitas não há quaisquer indícios de que o decreto editado pelo presidente beneficiou a Rodrimar. Ele destacou que a empresa não era atingida pelo decreto, que mudou regras de concessão posteriores a 1993, o que não seria o caso dela.

— O que a gente vê é que o próprio decreto em tese não ajudou a empresa. Em tese se houve corrupção ou ato de corrupção não se tem notícia do benefício. O benefício não existiu. Não se fala e não se tem notícia ainda de dinheiro de corrupção, qual foi a ordem monetária, se é que houve, até agora não apareceu absolutamente nada que desse base de ter uma corrupção, disse Segovia.

Outro Lado

O diretor-geral da PF, Fernando Segovia informou que só irá responder aos questionamentos do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, na quarta-feira (14).